sexta-feira, 10 de maio de 2013




 
Alma em Verso II

Minha saudade
Busca o dorso
Seu corpo
Busca seus olhos
Sua boca
Minha saudade
É insana...
Destemperada louca

Rô Lopes




Céu Sem Estrelas

Entre quatro paredes
Eu... Em silêncio
Olho para o céu
Lajeado...
Sem estrelas...
Sem firmamento
Lágrimas saltitam
Sentimentos reprimidos...
Em rastos antigos

Cada lágrima
Apõe sem direção
Dispersando
Sem se tocarem
Eu chorando até
Pelas minhas lágrimas
Que rolam solitárias
Sem convergir... Sem comoção
E... Ao som das lagrimas
Deixo rolar uníssona
Sem cadência... Lágrimas
Da minha própria solidão

Rô Lopes



Amor Profano

Aceite, amor! Minha ternura,
Pelo amor que em mim existe
E em mim doma essa loucura
Que talvez nunca sentiste.

Posso dar banhos de amor
Neste corpo alto e moreno,
Deixando que me navegues
Nos respingos do sereno...

Eu te amo entre as estrelas
E entre as flores de jasmim,
O meu remanso é o teu peito
Pulsando dentro de mim...

Murmura em nós o regato
Que entre lençóis serpenteia
Sobre o leito a céu aberto
Recoberto de lua cheia...

Sobre a relva que nos acolhe
Vamos na cavalgada profana
Invadindo os portões do céu
– O destino de quem ama!

Rô Lopes




Coração Cativo

Meu olhar permaneceu
Fixo no silêncio do seu olhar
Buscando amor

Após um tempo
Meneou a cabeça

Com um falso sorriso

Assim... Entendi seu adeus...

Mesmo entristecida
E o coração febril
Não desviei meus olhos...

Vi-te partindo
Nas asas do vento
Levando cativo
Um coração de mulher

Rô Lopes

domingo, 5 de maio de 2013


As Pérolas e a Solidão

Choveu pérolas
No pranto dos meus olhos
Onde tentou recolher
Com o perfume
Dos teus lábios

Já sem tempo...

Lágrimas desdobradas
Pelas ranhuras da solidão
Que angustiante teima
Em fazer morada
No silêncio da memória

E onde sombras
Concentram-se na penumbra
De flores que não se abriram.

A solidão ficou...
As pérolas... De tão só...
Nas asas do pássaro sem rumo...
Esvaíram!

Rô Lopes




Não Veja As Cicatrizes
 

Não me olhe pela janela
Nem fique a espreita da minha dor
A mim basta tão-somente o sol
Que mesmo em cortina de chuva
Afaga-me com seu calor

Não me olhe pela janela
Sofro por ter deixado a porta aberta
Sem o bailar da taramela

Não me olhe pela janela
Seus olhos nada mais dizem
São apenas duas asas indecisas
Que no meu céu não mais cingem

Não me olhe pela janela
Não há mais matizes
Somente penumbras de um amor
Em dias secretos e noites felizes!

Não me olhe pela janela
Não veja as cicatrizes

Rô Lopes


Sem Recordar

Eu respiro o perfumar
Das lembranças
Nostalgicamente
Vivas dentro de mim.
Mas...
Não me recordo!

Rô Lopes


Separação

Encontrei-te no meio do caminho
Já bifurcado, seguimos a esmo
Sem rumo sem direção
Com bagagens outras de histórias idas
Tristes... Marcadas...
Juntamos tudo seguindo estrada
Olhando horizonte na contra mão

Por um tempo com meus sonhos,
Fantasias, amor, carinho e sedução
Levei-te aos céus
Ela com pouco amor
Muita sabedoria
Um passado retornando
Trouxe-te de volta ao chão

A ela seu toque... Sua presença
Sua alma... Seu coração
A mim restou tristeza
Continuarei seguindo
Minha estrada
Levando a dor da perda
Vazio... Saudade
Separação

Rô Lopes



Vem...

Eu
Solto
O grito
O desejo
Conquista-me
Aperta-me entre lábios
Beija-me com tuas mãos
Saboreia-me com os olhos
Ama-me com o pensamento
Possui-me com o teu corpo!
Ansiosa espera esta menina por ti
Ela precisa se sentir mulher... Espero...
Vem!

Rô Lopes


Tal Como o Vento

Sinto-te tal como sinto o vento
Suave, intenso, ágil, ameno
Depende do momento
Assim também é meu amor por ti
Meu sentimento

Seu silencio, sua fala, suas ternas mentiras
Mexem comigo assim como o vento
Num redemoinho de constante conquista
Arrasta sonhando tal qual pensamento

Sou tua ou não sou,
É uma incerteza quase um enfado
Pois é vulnerável tal qual vendaval
Mesmo assim te amo...
Desejo-te a meu lado

Se um dia mudares ao rumo norte
E te fores para longe de mim,
Volúvel qual folhas ao vento forte
Sonharei contigo ate meu fim

Lembrarei dos seus beijos das carícias
Nossos momentos
Trocados na brisa e no embalar do vento
Com certeza é o que levarei do passado
Será companhia de todo momento

Você... Será uma saudade!
Meu único amor...
Minha mais linda ilusão...
Tormento e pecado
Você... Constante em meu pensamento
E no meu coração para sempre
Como vento... Meu amado!


Rô Lopes


A Canção

Ouvindo a canção do vento
Embalando seu lamento
Cheio de dores e ais
E nos meneios da brisa
Que a dor sempre ameniza
Verteram lágrimas do “Jamais”

Rô Lopes


Inebriante Amor


Minhas quimeras
Engavetadas de solidão
Choram saudade
Entorpeço-me na brisa
Porque meu presente esta
Embriagado de amor
Camuflado numa despedida
Mascarada em renúncia.

Rô Lopes





Pétalas do Silêncio

Como o despetalar das flores ao vento
As horas passam lentas... Silenciosas...
Meu quarto – um mundo!
Um céu de estrelas
espargindo luz cor de rosa
As plumas se perderam na imensidão
As brumas emudeceram
O sol tornou-se frio de repente
A lua se escondeu na nuvem de algodão
Os vaga-lumes comandam a noite
Tem espasmos de prata no chão
Há um lago onde os cisnes repousam

Dentro do meu céu!

Eu na cama entre cetim rubro
Exalo perfume como rosas ao léu
Os pássaros não cantam... Dormitam
A volúpia tomou conta do ambiente
um vulto surge na penumbra
Silhueta misteriosa que mal conheço
Aconchego-me na brisa carinhosa
a espera do beijo desejado
O silêncio cada vez mais lento
Nem ouço meu respirar...
Foi ele quem chegou...
Faceiro...
Como flocos de neve
A me beijar

Eu... Uma chama viva
Uma felina... Com jeito de menina
Serpenteando como quem fascina
Começamos a delirar...
Silêncio!
Deixe nosso corpo expressar...

Ah!

Rô Lopes